Um oceano por um pingo d'água

Escrevi a frase que dá título a essa postagem(esse texto ou seja lá o que isso aqui será) no meu twitter ontem, ou hoje, não lembro. Muito significado em uma frase insignificante.

Em primeiro lugar, aprecio e muito cada pingo d'água, seja da torneira, do chuveiro ou de uma chuva de verão. Não acho que por ser apenas um pingo ele não seja nada, afinal de contas, é por serem bilhões(ou mais) de pingos como cada um que cai sobre nós é que existem rios, enfim, tudo o que se segue nesse sentido de muita água concentrada em um lugar.

Em segundo lugar, um oceano é perigoso. É muita coisa. Muita água, muito sal, muita profundidade, muita quantidade, imensidão, desconhecido e acaso. Muito. Chega a ser aterrorizante* quando pensamos nele como um todo e não apenas como aquela pequena faixa de água que vemos da praia.

A questão da frase vem a ser muito subjetiva. Baseada em quantidades e não na importância por si só do oceano, e claro, do pingo d'água. Subjetividade* da qual tenho usado muito. Em frases, textos, respostas e ainda tento me convencer de que pensar subjetivamente* pode ser uma boa opção para dias como esses tantos que muita confusão, dúvidas e sentimentalismo me trazem.

Há pessoas que, de tão arrogantes, conseguem se afogar em um pingo d'água. É aquela lei do nariz empinado. Mas não vem ao caso, essas pessoas não entram nessas linhas, nessas frases, nesse sentimentalismo deprimente todo.

Possibilidades, em virtude da subjetividade não faltam. Razões e motivos. Impressões, primárias ou secundárias. A subjetividade me permite colocar o mundo em um pingo d'água, e ninguém saberá de quem mundo estarei falando. Assim como me permite colocar aquele pingo d'água em um oceano e, por serem muitos e imensos, ninguém saberá em qual oceano, ou ainda, em que parte dele estará o meu pingo. D'água.

O que eu ouvi minha mãe dizendo talvez seja certo. Talvez não. Mas de que adianta ouvir? Há algo que não possui ouvidos, olhos, boca, pele ou qualquer tipo de tato. Há algo independente disso tudo, para o qual não faz sentido ser verdade, mentira, melhor, pior ou necessidade. Não muda. Não mudou e não mudará.

Às vezes me arrependo do dia em que, racionalmente, coloquei em segundo plano a racionalidade da qual tanto me orgulhava. A dor que não se cura com remédios ou ataduras era tão insignificante, eu estava acima disso. Agora, aquela mesma mente racional acaba sendo afetada. Os melhores não o são mais. Se é que algum dia foram mesmo.

Penso mesmo se não teria sido melhor viver. Talvez fosse. Provavelmente fosse. É quase certo que fosse.

Mas, pensando bem, eu já não estaria mais aqui se continuasse ignorando tudo aquilo que hoje me faz viver.

*me corrijam se essas palavras não existirem

AMOR DE CUIDADO


Tenho aprendido cada vez mais sobre nós seres humanos. De por quantas vezes buscando acertar erramos e erramos muito. O alvo tá longe de ser acertado. Eu não sei até onde vai o limite do cuidado e do golpe. Do que é ação desinteressada e do que é ato puramente egoísta. Quantas vezes agimos dizendo ser em nome de tantas coisas ou pessoas e no fim agimos friamente por nós mesmos. Não que seja sempre calculado ou premeditada a função, mas vem, talvez, de nossos instinto de defesa do ego.


Numa conversa de bar soltaram a frase: “Todos nós precisamos de amor!”. Será que todos querem ser amados? Que amor é esse? O que é amar? Pra mim o amor ora lhe parece bom e ora lhe parece ruim, mas sem lutas de forças entre bem e o mal. Mas é porque nem sempre ele chega até você por gestos delicados. Mas o gesto é sempre em prol de você e por você e mais ninguém. Mesmo que naquele momento você não sabendo reconhecê-lo o recuse. O ser humano precisa ser cuidado e o gesto mais equivalente ao amor é esse: o CUIDADO. Porém com o cuidado desse cuidado não virar posse e desejo de que as ações do outro pertençam a você. Não é disso que se trata. É cuidado sem amarras. É sentir e perceber como o outro caminha e tentar caminhar próximo dele e saber que há momentos que você será seu guia. É ação não planejada porque vem do impulso de se fazer o bem pro outro. Ação que não se repete, não é modelo de cópia para tribos e nações.


Nós nascemos dependendo um do outro. Que entendamos a responsabilidade que nos cabe na vida e saibamos ter cuidado com o próximo e assim faremos cuidado de nós mesmos. Pratiquem esse amor!


Contraditório

"O olhar que penetrou dentro de mim pra nunca mais sair
O beijo que eu sempre quis
A minha fraqueza
A minha força
A essência da minha alegria
A essência da minha dor
O porto seguro das minhas angústias
A certeza que eu não quis ver
Cada lágrima derramada ao escurecer
Meu grito de desespero chamando por você
O cansaço para prosseguir
O medo de não conseguir
A certeza de ter que partir
Assim é você pra mim!"

Grilos

Fiquei observando as formigas trabalharem hoje, no ponto de ônibus. Achei tão interessante o leva-e-traz de pedaços de folhas verdes e secas. Umas menores, outras maiores... Algumas aparentavam até obesas, cambaleando por sobre as pernas magricelas, enquanto a barriga era 'enormemente' gorda! Pensei em ajudá-las a pôr aqueles pequenos alimentos dentro do buraquinho feito na terra, com tanto esforço. Cheguei até a direcionar meus dedos para um montezinho de folhas embaixo daquela árvore; mas percebi que, talvez, não fosse uma idéia tão boa tomar aquela atitude... Por ser humana, eu poderia colocar alimentos demais naquele cantinho aparentemente minúsculo e acabar dificultando a entrada e a saída das formigas de lá. Além disso, imagine "ter tudo que você quer, sem esforços"; elas poderiam se tornar preguiçosas e mais e mais e mais gordas do que já pareciam. Percebi que cada um de nós possui uma natureza, uma essência diferente que só nós mesmos conhecemos... Ninguém mais sabe proceder em certas situações do que nós. Às vezes, você pensa que está fazendo bem a alguém e, quando percebe, quase a sufocou sem intenção. É preciso analisar por todos os ângulos, antes de ser "caridosa". Você pode está ajudando a criar seres acomodados e totalmente despreocupados em conseguir a sua própria folha...

SAra Albuquerque.

Desculpa, hoje eu não vou escrever

Acho que se eu fosse escrever algo, seria algo triste. Vazio. Profundo. Mas triste. Solidão. Sentimentos estranhos, de ausência, de falta, de nada. Anos-luz contraditórios. Distância irreal mais real do que 30 centímetros de uma régua. Nó na garganta. Não vou escrever nada disso. Achei que já estivesse preparado, que poderia enfrentar isso de uma maneira boa, se é que essa maneira boa pode existir. Eu me conheço, ou melhor, eu achava que me conhecia. Por isso termino esse aviso, que não vou escrever hoje para não deprimir ninguém, com o trecho final de um texto que escrevi no Blog do Maluco.:


"O meu tempo não tem asas. Ele é anormal. Assim como eu. Anormal, diferente, estranho. Uma rosa no deserto. Uma bergamota num restaurante de comida japonesa. Um raio de sol no fundo do poço." - O meu tempo não tem asas

Se fosse impossível eu não estaria aqui

Cada acontecimento pode ser um sinal. Um presságio. Um aviso. Cada atitude traz consequências que outras, se não trouxerem diferentes, demorarão mais tempo a serem vistas, ou mesmo vividas. Cada passo dado, cada mão estendida, cada sacrifício feito vale. Mesmo que a dor seja maior, mesmo que tudo esteja doendo, que o meu lugar não seja esse, não conseguiria não permanecer aqui por algum tempo para, tentar.

A vida não é justa com ninguém. Certo? Errado. Ninguém carrega mais peso do que consegue, ninguém caminha mais do que suas pernas aguentam e ninguém ao menos vê mais do que seus olhos, cansados ou em perfeito estado, podem ver.

Sacrifício, esforço, vontade. Tudo está doendo. Cabeça, estômago, braços, costas e pernas. Sem contar o já massacrado coração. Dói. Dor intensa, permanente. Eu precisaria de repouso. Horas e horas de sono. Tentar recuperar algo que alguma coisa estragou. O físico e o mental. Dor.

Muitas pessoas já sofreram mais, eu já sofri mais. Mas com o meu propulsor desgastado, massacrado, quase destruído, fica muito mais difícil suportar essas dores. Mesmo assim, vim aqui. Achei que estivesse precisando. Talvez estava. Mas não muda. Talvez nunca tenha mudado.

Agora não seria diferente.

É difícil ter consciência daquilo que não se conhece, daquilo que não se entende ou mesmo daquilo que não se percebe. Mesmo que o raio de sol bata no meu olho, se eu não souber que é, antes de tudo, algo normal e natural, vou reclamar e ficar sem entender por que esse 'maldito' raio de sol veio parar no meu olho.

Depende do ponto de vista. Depende de algo muito maior. O que me moveu hoje, e que é a coisa que mais me dá forças nos meus longos períodos de distanciamento da MINHA VIDA, foi algo muito maior. Algo que não se vê. Algo que não se quer ver em muitos casos. Porque um desvio me afastou, fiquei parado na estrada e, quando voltei, já não era mais necessário.

Você não sabe o quanto. Você não percebe o quanto. Não entendo como consegue não perceber e não entender, o que foi, e o que SEMPRE foi.

Ontem foi um dia fantástico. Só não foi maravilhoso porque, bom, você sabe. Mas estar ao seu lado sempre é algo fantástico, esteja você próxima ou distante a mim, mesmo que fisicamente esteja apenas há alguns centímetros.

Não tive culpa. Não foi o que pareceu ter sido. Não foi como pareceu ter sido. Mas algo aí dentro fecha os seus olhos e o seu coração para aquilo que, com a ajuda de Deus(que entende e sim, valoriza todo e qualquer sentimento sincero - e sou prova viva de que Ele ajuda quem sinceramente sente), seria inevitável.

Esperar pelo tempo é se conformar. E eu não consigo. E nunca consegui.


Eu te entendo. Entendo toda mágoa. Mágoa que se mistura. Já passei por isso. Já sofri por mágoas passadas. Algo sempre ficava, mas aprendi a não guardar mais mágoas. A decepção pode até se repetir, mas não deixarei de tentar, quantas vezes forem necessárias.

Eu consegui, e espero que você um dia consiga. Também por mim, mas principalmente, por você. Você não precisa dessa dor, desse passado. Há muito mais coisas boas a serem lembradas e, mesmo não sabendo de toda a sua vida, tenho certeza de que as lágrimas podem sim ficar no passado e não perturbar.

Com toda a sinceridade que há em meu coração, eu te amo.

Obrigado pelo espaço alternativo. 
E voltei aqui para editar duas frases 
e dizer que estou melhor, fisicamente.

A Chave de Prata

Utilizada sozinha, a palavra “chave” pode adquirir amplos sentidos: a solução, a entrada, a tranca, o segredo, o meio. Qual o significado da sua chave, guardada em meio aquela caixa de sapatos preta, onde você esconde as inúmeras lembranças de uma vida boa?

A minha tem o poder de manter intactos os presentes, os bilhetes, a tampinha, as cartas improvisadas... A história. “Nada morre, quando permanece em nossos corações” – ouvi esta frase tantas vezes e, agora, posso constatar o fato como verdadeiro. Tudo sobrevive, quando se tem a chave.

Guardá-la-ei com cuidado e carinho... Mais que isso: com amor. Serão os meus sonhos materializados em um objeto de prata e me mostrando que emoções existem, porque existem pessoas especiais, que nos fazem senti-las como nunca ninguém fará novamente.

Sara Albuquerque.